Descoberta arqueológica confirma história da Bíblia

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Maia uma descoberta histórica
Quem já leu a Bíblia provavelmente conhece a narrativa do rei Ezequias. Segundo conta a história do Livro Sagrado, ele reinou em uma cidade histórica e baniu dela todas as referências pagãs que ela possuía. Por muito tempo, especulou-se sobre a veracidade da cidade, que ficaria onde hoje é Israel. E um grupo de arqueólogos conseguiu provar que, sim, a história do rei Ezequias é realmente verdadeira. Em explorações na região, os arqueólogos fizeram a descoberta que especialistas da área e religiosos esperavam havia séculos. Lá encontraram um santuário e seu portal extremamente antigo. O portal, que foi desenterrado por inteiro pelo grupo de arqueólogos, está localizado no que hoje é a cidade israelense de Tel Lachish. Parte do portal já havia sido encontrada, mas só sua descoberta por inteiro confirmou a história.

“O que temos hoje é algo realmente muito especial, desenterramos o portal por inteiro. E podemos afirmar que o tamanho do portal coincide bastante com os conhecimentos históricos e arqueológicos que temos sobre essa história bíblica”, afirma Sa’ar Ganor, diretor da Autoridade de Antiguidades de Israel.

A porta encontrada é a entrada para uma área de 24,5 metros quadrados onde foram encontradas outras seis câmaras orientadas para a rua principal da antiga cidade. A descoberta foi muito comemorada tanto pela comunidade de arqueólogos como entre religiosos.

Mais duas descobertas respaldam histórias bíblicas

Outra evidência histórica
Arqueólogos israelenses descobriram uma marca do selo do rei bíblico Ezequias, que ajudou a transformar Jerusalém em uma metrópole na antiguidade. A inscrição circular em uma peça de argila de menos de um centímetro de comprimento pode muito bem ter sido feita pelo próprio rei, disse Eilat Mazar, da Universidade Hebraica de Jerusalém, que dirigiu a escavação onde a peça foi encontrada. Ezequias reinou aproximadamente no ano 700 a.C. e foi descrito na Bíblia como um monarca ousado, “de modo que não houve ninguém semelhante a ele, entre todos os reis de Judá, nem antes nem depois dele” (2Rs 18:5), e que se dedicou a eliminar a idolatria em seu reino. “Essa é a primeira vez que a impressão de um selo de um rei israelita ou da Judeia veio à luz em uma escavação arqueológica científica”, afirmou Mazar.

A impressão na argila, conhecida como bula, foi descoberta junto ao pé da parte sul de um muro que cerca a Cidade Velha de Jerusalém, uma região rica em relíquias do período do primeiro dos dois templos judeus antigos. O artefato estava enterrado em uma área de descarte de dejetos que remonta aos tempos de Ezequias, e provavelmente foi atirado de um edifício real adjacente, segundo Mazar, contendo escritos em hebraico antigo e o símbolo de um sol com duas asas.

A bula foi catalogada inicialmente e armazenada, juntamente com 33 outras, após uma primeira inspeção que não conseguiu detectar sua verdadeira identidade. Só cinco anos mais tarde, quando um membro da equipe a examinou sob uma lupa e discerniu pontos entre algumas letras, é que seu significado ficou claro. Os pontos ajudam a separar as palavras “Pertencente a Ezequias (filho de) Acaz, rei de Judá”.

Mazar afirmou que a parte de trás da impressão na argila tem sinais de barbantes finos usados para amarrar papiros. “Sempre surge a pergunta ‘quais são os fatos reais por trás das histórias bíblicas?’”, disse. “Aqui temos a chance de chegar tão perto quanto possível da própria pessoa, do próprio rei.”


Itai Halpern
Foi destaque na semana passada [outra] descoberta arqueológica na cidade de Beit Shemesh (ou Bete-Semes, em português). Citada pela primeira vez no livro de Josué, o lugar ficou mais conhecido por ser parte do Vale de Soreque, onde viveu Sansão. Um menino de oito anos, chamado Itai Halpern [foto], fazia uma caminhada com sua família no sítio arqueológico (Tel) quando encontrou a cabeça de uma estatueta de Astarote (ou Aserá), divindade pagã dos cananeus.

Nesse mesmo Tel, em 2012, foi descoberto o chamado “selo de Sansão”. Com menos de uma polegada de diâmetro, retrata um homem com cabelo comprido lutando contra uma figura felina. Especialistas acreditam que é uma representação da história bíblica de Juízes 14.

A confirmação de que o achado do jovem Itai realmente é a cabeça da deusa foi feita pela Autoridade de Antiguidades de Israel. Embora não seja a primeira do tipo, mostra que essas pequenas figuras de mulher eram muito comuns nas casas dos moradores do reino de Judá durante a época do Primeiro Templo. Curiosamente, essa não é a primeira descoberta arqueológica importante feita por uma criança neste ano. Dois meses atrás, o russo Matvei Tcepliaev, de 10 anos, achou um raro sinete de três mil anos de idade, em Jerusalém.

O culto a Aserá, conhecida por ser filha de Baal, foi condenado pelos profetas bíblicos repetidas vezes. Ela é chamada de “deusa dos Sidônios” (1Rs 11:5) e geralmente era representada com seios grandes ou múltiplos, o que a associava à ideia de fertilidade.

No livro de 1 Samuel, Bete-Semes é mencionada como a cidade para onde os filisteus levaram a “arca da aliança”, capturada por eles após uma batalha. O achado arqueológico do menino apenas confirma outras descobertas sobre a vida no território do antigo reino de Judá na época imediatamente anterior ao período do Primeiro Templo, chamada de “Idade do Ferro” pelos estudiosos.

Alon De Groot, um especialista, afirmou ao Jerusalém Post que “figuras como essa, com forma de mulheres nuas que representam a fertilidade, eram comuns nas casas dos moradores da Judeia no século 8 a.C. Possivelmente, até a destruição do reino pelos babilônios nos dias de Zedequias (em 586 a.C.)”.

Segundo a história, o rei assírio Senaqueribe invadiu e saqueou Bete-Semes no ano 701 a.C., e sua destruição foi concluída em 86 a.C. pelo rei babilônico Nabucodonosor.

Estado Islâmico destrói importante complexo arqueológico na Síria

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Estado Islâmico destrói importante complexo arqueológico na Síria

Tell Ajaja é um dos sítios assírios mais ricos da Síria, mas durante a passagem dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) por este local, estátuas milenares foram destruídas, além de baixos-relevos que não haviam sido desenterrados.
O EI já devastou um patrimônio inestimável na Síria e no Iraque. No caso concreto do sítio de Tell Ajaja, controlado por eles durante dois anos, conseguiu ser libertado em fevereiro de 2016 quando grupos curdos expulsaram os extremistas da maior parte da província de Hasake.
Localizado no alto de uma colina e a centenas de quilômetros da fronteira com o Iraque, Tell Ajaja oferece um espetáculo desolador. Ainda longe do local, é possível observar os restos dos objetos destruídos e grandes buracos no chão, resultado dos roubos, como constatado pela AFP.
Apesar de a maioria dos tesouros de Tell Ajaja, descobertos no século XIX, estarem em museus sírios e no exterior, os extremistas e outros criminosos levaram indícios ainda desconhecidos.
“Foram encontrados objetos desconhecidos, como estátuas e colunas. Muitas coisas foram perdidas”, lamenta Mamun Abdulkarim, chefe das Antiguidades sírias.
“Mais de 40% de Tell Ajaja foi destruída ou roubada pelo EI”, afirma Jaled Ahmo, diretor de Antiguidades de Hasake. “Os túneis perfurados destruíram níveis arqueológicos inestimáveis”, testemunhas da história econômica, social e política da época.
Páginas da História destruídas
Em 2014 apareceram fotos de extremistas destruindo a marteladas estátuas do primeiro e segundo milênios pertencentes ao patrimônio assírio, divulgado sobretudo no Iraque e na Síria, onde ocorre uma guerra devastadora desde 2012.
“Com escavadeiras esses bárbaros destruíram páginas da História da Mesopotâmia”, destaca Abdulkarim. “Em dois ou três meses reduziram a nada o que teria necessitado 50 anos de trabalhos arqueológicos”, acrescenta.
Fotos publicadas no site das Antiguidades mostram objetos danificados ou roubados em Tell Ajaja: baixo-relevos com inscrições em alfabeto cuneiforme, leões e animais alados – inclusive o “lamassu” -, criaturas com cabeça humana e corpo de touro, e leão com asas de águia, cujo objetivo era a defesa contra os inimigos.
A Assíria, com sua capital Nínive (atualmente no Iraque), foi um poderoso império do norte da Mesopotâmia. A arte assíria é particularmente célebre por seus baixo-relevos que recriam cenas de guerra.
“Tell Ajaja ou a antiga Shadicanni era uma das principais cidades assírias.” no território sírio atual, explica Sheijmus Ali, da Associação para a Proteção da Arqueologia Síria (APSA).
“O EI transformou a colina em zona militar”, conta à AFP um morador do local sob o pseudônimo de Jaled, que acrescenta: “ninguém tinha direito de entrar sem autorização”.
Contrabando para a Europa
“Verdadeiras hordas de homens armados entravam acompanhados de traficantes de objetos arqueológicos”, assegura outro habitante, Abu Ibrahim.
Tell Ajaja era conhecida como Tell Araban na época islâmica. Mas, lamentavelmente, “as camadas mais altas que se remontam a essa era também foram arrasadas”, afirma Jaled Ahmo.
Inúmeros vestígios foram contrabandeados através da vizinha Turquia para a Europa, segundo Abdulkarim, que alertou a Interpol.
Desde sua ascensão militar em 2014, o EI devastou muitos sítios mesopotâmicos no Iraque (Hatra e Nimrud) e na Síria, alguns classificados como patrimônio mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Na Síria, mais de 900 monumentos ou sítios arqueológicos foram afetados, seriamente danificados ou destruídos pelo regime, pelos rebeldes ou extremistas, segundo a APSA.

Arqueólogos encontram cemitério filisteu em Israel; Descoberta reitera narrativas bíblicas



A descoberta de um cemitério filisteu por uma equipe de arqueólogos liderada por pesquisadores israelenses é mais um capítulo da história da arqueologia moderna a referendar as narrativas bíblicas.
No último domingo, 10 de julho, os pesquisadores anunciaram que encontraram, em 2013, um cemitério filisteu. Essa descoberta seria a primeira da história relacionada aos sepulcros do povo inimigo de Israel, e poderá trazer luz sobre dúvidas a respeito de sua origem.
De acordo com informações da BBC, o anúncio da descoberta marcou o fim da escavação feita pela Expedição Leon Levy, que durou 30 anos na região do Parque Nacional de Ashkelon, no sul de Israel.
Os pesquisadores alegam ter encontrado 145 conjuntos de restos mortais em várias câmaras fúnebres, algumas delas cercadas por perfume, comida, joias e armas. Até onde se sabe, as ossadas são datadas dos séculos 11 a.C. e 8 a.C.

Segredo

A decisão de manter a descoberta em segredo por três anos foi tomada para permitir que as escavações fossem concluídas, pois o anúncio poderia atrair ativistas judeus ultraortodoxos, que se opunham ao projeto, acusando os arqueólogos de perturbar locais de sepultamento.
“Nós tivemos que segurar as nossas línguas por um longo tempo”, afirmou Daniel M. Master, um dos responsáveis pela pesquisa.
De acordo com especialistas que estudaram o período, não há consenso sobre a origem geográfica dos filisteus, um povo considerado migrante. Grécia, sua ilha Creta, Chipre e Anatólia, na Turquia, são apontados como possíveis locais de surgimento dessa estirpe.
“A equipe da expedição está agora fazendo exames de DNA, de datação por radiocarbono e outros testes nos restos mortais em uma tentativa de apontar sua ascendência. A maioria dos corpos não foi enterrada com itens pessoais, afirmam os pesquisadores, mas perto de alguns havia utensílios onde eram guardados perfumes, jarras e pequenas tigelas. Poucos indivíduos foram sepultados com pulseiras e brincos. Outros, com armas”, diz o texto da matéria da emissora britânica.
O arqueólogo Adam Aja, um dos integrantes da equipe de escavação, resumiu a descoberta: “É assim que filisteus tratavam seus mortos, e esse é o ‘livro de códigos’ para decifrar tudo”.
O filisteu mais famoso de que se tem notícia é Golias, o gigante guerreiro que tombou com um tiro de funda disparado pelo jovem pastor de ovelhas Davi, que o decapitou.

Peça de 5 mil anos mostra que mesopotâmicos recebiam salário em cerveja

 (Foto: Trustees of the British Museum)

Placas de argila com inscrições cuneiformes de 5 mil anos de idade encontradas nas ruínas da cidade mesopotâmica de Uruk, que hoje corresponde ao Iraque, revelam um passado, de coordenação motora comprometida. O salário dos trabalhadores da antiguidade era pago em cerveja.


O registro específico consiste em um recipiente cônico, que significa “cerveja”, acompanhado de uma figura humana se alimentando com uma valise, que representava o conceito de “ração”. A placa como um todo é uma espécie de holerite.
Embora o método de pagamento inusitado tenha atraído toda a atenção do público, o próprio fato de que havia salário e funcionários nos primeiros agrupamentos humanos é revelador: esse é o mais antigo registro de um método de organização do trabalho que envolve patrões e empregados. 
A placas de argila que eram usadas pelos povos da Mesopotâmia são uma excelente janela para o cotidiano da antiguidade. Elas resistem excepcionalmente bem à passagem do tempo, mesmo quando não são cozidas. Só no Museu Britânico, responsável da placa alcoólica, há mais de 130 mil inscrições do tipo.
“Uma enorme quantidade de inscrições está disponível, são mais de 3 mil anos de história”, explicou Irving Finkel, curador do museu, à BBC.  “Só uma pequena parcela delas foi feita para durar, o resto consiste em documentos mais ou menos efêmeros que descrevem muitos aspectos públicos e privados da vida na Mesopotâmia.”
Essa foi a primeira vez que a bebida foi usada como moeda de troca, mas não foi a última. No Egito antigo, operários que trabalhavam na construção das pirâmides recebiam entre 4 e 5 litros diários de cerveja.